Quando criança, com aproximadamente 5 anos de idade, eu morava na fazenda Laginha do Barro Preto, município de São Gonçalo do Abaéte - MG. Todas as manhãs, logo que clareava o dia, me despertava com um canto melodioso e muito agradável de um curió mateiro, que todos os dias nos visitava ao amanhecer, para se alimentar da cal, que meu pai utilizava para pintar as paredes de uma casinha de despejo.
Eu ficava maravilhado, vendo aquele lindo e acrobata casal de curiós, voando e pairando sobre a soleira da janela, para bicar e comer a cal, sendo que quando eles se cansavam, pousavam em um galho da amoreira, que havia bem próximo a porta da cozinha, onde havia um banco de madeira, em que eu ficava assentado, pra tomar meu café da manhã e apreciar um maravilhoso show de cantoria, daquele que parecia me conhecer, pois pousava num galhinho bem próximo de minha cabeça.
Certa vez, um vizinho, chegou em nossa casa, num dia de domingo e perguntou ao meu pai se aqueles curiós, ainda estavam por ali, e meu pai respondeu que sim, e ele então pra minha imensa tristeza e frustração revelou que iria pega-los para vender ao Mane Barbeiro, em Patos de Minas. Chorando implorei ao meu pai, que impedisse... porem meu pai me respondeu que não havia como..., pois os pássaros não nos pertenciam! E tal fato se consumou!
Daquele dia em diante, nossas manhas ficaram mais tristes! Foi quando; fiz uma promessa a mim mesmo, que assim que eu tivesse condições, iria criar curiós e soltaria alguns exemplares na natureza, para que outras gerações pudessem sentir a felicidade de ver e ouvir o amigo do homem fazer seu show, em seu habitat natural.